Por Nanda Cattani
A tensão em torno do futuro do TikTok nos Estados Unidos atingiu um novo pico. Com o prazo final estabelecido pela administração Trump se aproximando — 5 de abril —, a gigante Amazon entrou oficialmente na disputa pela aquisição da plataforma, acirrando ainda mais uma batalha que une interesses corporativos bilionários, política internacional e o futuro da liberdade digital.
De acordo com informações divulgadas pela ABC News e confirmadas por outras fontes da mídia americana, a Amazon enviou uma carta formal ao governo dos Estados Unidos, expressando seu interesse em comprar as operações do TikTok no país. A carta foi endereçada ao vice-presidente JD Vance e ao secretário de Comércio Howard Lutnick, e representa uma movimentação estratégica de última hora da empresa de Jeff Bezos.
O presidente Donald Trump, reforçou a ideia de que o TikTok representa um risco à segurança nacional dos Estados Unidos devido ao seu vínculo com a empresa chinesa ByteDance. Desde seu primeiro mandato, Trump já havia ameaçado banir o aplicativo caso ele não fosse adquirido por uma empresa americana — uma postura que se mantém firme agora em 2025.
Apesar da proposta da Amazon, especialistas indicam que a empresa pode ter chegado tarde demais à mesa de negociações. Fontes internas apontam que a proposta da AppLovin, outra concorrente, está mais adiantada. Além disso, há rumores de que a Oracle e outras big techs também estão envolvidas em negociações confidenciais.
O que está em jogo? E o Brasil com isso?
Com mais de 170 milhões de usuários nos Estados Unidos, o TikTok é uma potência de engajamento digital, especialmente entre as gerações mais jovens. A possível aquisição por uma empresa americana pode redefinir o mercado de redes sociais, publicidade digital e até mesmo as diretrizes de privacidade online.
Caso não seja vendida até o prazo estipulado, o TikTok poderá ser banido do território americano, o que significaria uma drástica reviravolta para influenciadores, marcas e usuários que dependem da plataforma para negócios e visibilidade.
O Brasil é o segundo maior mercado do TikTok fora da China e, portanto, os desdobramentos da crise nos EUA podem ter reflexos significativos no mercado brasileiro. “Se o TikTok for vendido ou banido nos EUA, a nova configuração pode alterar algoritmos, políticas de moderação e até estratégias de expansão em países como o Brasil”, explica Genilde Guerra, advogada internacional e especialista em direito empresarial.
Com o prazo se encerrando neste sábado (5), a expectativa é que o governo dos Estados Unidos anuncie sua decisão em breve. Até lá, os bastidores seguem movimentados com lobbies, negociações e especulações — e o futuro de uma das redes sociais mais influentes do planeta permanece em suspense.