Por Dra. Mônica Martellet
Ao longo dos meus anos na estética seja em consultório, sala de aula ou nos bastidores da ciência uma certeza se firmou em mim com cada paciente, cada estudo, cada resultado observado de perto: a pele não mente. Ela fala. Às vezes em sussurros quase imperceptíveis. Outras, em gritos visíveis e insistentes. Mas sempre, sempre, ela reflete o que está acontecendo por dentro. E não me refiro apenas às emoções. Estou falando de fisiologia. Do que o corpo absorve, do que inflama silenciosamente, do que ele não consegue eliminar.
A verdade é simples e inegociável: não existe resultado estético duradouro sem respeito profundo à fisiologia. E para que essa frase deixasse de ser uma ideia bonita e se tornasse prática concreta no consultório e na sala de aula, foi preciso mais do que teoria. Foi preciso escuta. Observação. Vivência. Repetição. Foi preciso ver, dia após dia, que a pele só responde de forma saudável quando o corpo está em harmonia. Hoje, aquilo que antes parecia “alternativo demais” ganhou nome, base e comprovação científica: existe, sim, uma conexão direta entre o intestino e a pele. A ciência chama de eixo intestino-pele. Eu prefiro chamar de ponto de virada.
Quando a microbiota intestinal está em desequilíbrio o que é mais comum do que se imagina, o corpo entra em um estado inflamatório silencioso. Silencioso por dentro, mas ruidoso na pele: acne inflamada, rosácea, dermatites, dificuldade de cicatrização, hiperpigmentações recorrentes, falta de resposta a bioestimuladores… a lista é longa. E injusta com quem faz tudo certo, mas continua sem resultado.
Minha pesquisa de doutorado investigou a adesão de cepas probióticas às células intestinais. Desde então, sigo pesquisando e sou entusiasta convicta de um olhar clínico mais profundo, que reconheça a influência direta entre o intestino e a fisiologia da pele. Esse trabalho resultou no depósito de uma patente junto ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Intelectual Brasileiro) e na publicação de dois artigos científicos em revistas de alto fator de impacto internacional: Nutrition e Food Bioscience.
Na minha rotina, ensino e pratico uma estética que honra o tempo biológico, que entende o corpo como um sistema inteligente e que coloca a pele no seu lugar de direito: como reflexo, não como ponto de partida. A beleza que eu acredito e entrego é a que se constrói de dentro para fora. Não com promessas rápidas. Mas com escolhas conscientes. Não com intervenções isoladas.
Mas com fisiologia respeitada. Porque quando o corpo funciona bem, a pele revela isso com naturalidade. Se eu pudesse deixar um único conselho, seria esse: cuide do seu intestino com o mesmo zelo que você cuida do seu rosto